Resenha - Tintim no Congo

Título: Tintim no Congo
Título Original: Tintin au Congo
Serie: As Aventuras de Tintim #2
Editora: Hergé
Editora: Quadrinhos da Cia
Páginas: 62
Ano: 2009 (original P&B  1931; Col 1946)
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Sufocante.

Sinopse: Tintim e Milu vão ao antigo Congo Belga, na África, fazer uma série de reportagens e documentários. A viagem começa com maus presságios, e logo ao cruzar o oceano nossos heróis enfrentarão os primeiros perigos. Famosos no continente, Tintim e Milu vão se ver às voltas não só com as feras - leões, elefantes, rinocerontes, leopardos, cobras gigantes -, mas com um perigoso bandido que tentará se livrar deles de todas as maneiras.


A Trama: Neste segundo volume, nosso querido repórter belga  vai ao Congo investigar o que de suspeito pode estar acontecendo no país. Em meio a diversas confusões, Tintim conhece o Congo, sua fauna e seus habitantes. Durante a viajem, ele descobre um possível esquema criminoso envolvendo o contrabando de diamantes, e passa a buscar a verdade por trás do caso. Este volume gera até hoje uma grande polêmica no mundo todo, escrito na época em que o Congo era colônia da Bélgica (até que a colonização se tornou oficial e o Estado Livre recebeu o nome de "Congo Belga", foi oficializado no final de 1908 e continuou assim até 1960). Devido a sua posição social, o meio em que vivia e o tipo de arte que era a sua matéria-prima naquele determinado momento, seria esperado (embora, claro, fosse possível ter diferentes opiniões e as propagar, mesmo que incomuns) um conteúdo expressivamente preconceituoso. 


O Protagonista e os Personagens Secundários: O Tintim desta edição demonstra arrogância, inteligência, crueldade, dentre outras qualidades adoráveis, esta sempre exibindo sua força (adotada como proeminente diante do povo local) e criando situações oportunistas, onde ele é beneficiado e os nativos subjugados como uma mão-de obra ignorante, retratados com inocência e obediência. Se isso não fosse o suficiente, há diversas cenas de violência gratuita aos animais. Mesmo depois de adaptações terem sido feitas em suas republicações, é identificável o tratamento deplorável dado aos congoleses em toda a trama.




Capa, Arte e Finalização:  Nesta edição, a capa já iniciou uma padronização mais notável, a arte de Hergé é sempre algo a se elogiar, começando a ter feitios mais harmônicos, principalmente depois de sua colorização. Há varias cenas deletadas das edições brasileiras.

A história, lançada originalmente em 1930 e encadernada em 1931, foi revisada por Hergé em 1946 e relançada com pequenas alterações. Não há mais rinocerontes sendo explodidos por dinamite, e uma aula dada a nativos em determinado momento da HQ passou de "História sobre a Pátria Bélgica", para "Aula de Matemática". Infelizmente o autor manteve os desenhos caricatos para descrever os habitantes locais. 

Concluindo:  Não é  uma surpresa a mentalidade do autor acerca a época em que seu trabalho foi redigido. É compreensível que a história seja um reflexo do apoderamento da Bélgica sobre o Congo-Colônia, mas isso não isenta a culpa do conteúdo preconceituoso demonstrado na trama em questão. Além disso, sua trama, para dizer o mínimo, é pobre e desconexa. Não há um objetivo concreto e muito menos uma construção narrativa. Há vários acontecimentos aleatórios, que em nada somam à trama principal e não ancoram um possível argumento humorístico que talvez fosse desejado pelo autor. Há diversos elementos e subtramas envolvidas na principal linha de narração e nenhuma delas é desenvolvida ou aprofundada por completo. Minha única ressalva é que houve uma tentativa de dar uma continuidade seriada para o próximo volume - Tintim na América -, que apesar de seus defeitos, começa a esboçar  uma melhoria significativa em todos os pontos aqui ressaltados.