Resenha - As Sombras de Outubro

Título: As Sombras de Outubro
Título Original: Kastanjemanden
Livro Único.
Autor: Søren Sveistrup
Editora: Suma de Letras
Ano: 2019
Páginas: 415
Saiba mais: Skoob / Goodreads
Comprar: Amazon

Sinopse: É outubro e a neve de outono começa a cair em Copenhagen, deixando os dias mais curtos e as noites mais sombrias... e pelas ruas geladas e escuras, um psicopata aterroriza a cidade. Em uma manhã tempestuosa em um tranquilo bairro de Copenhagen, a polícia faz uma descoberta sinistra: o corpo de uma mulher brutalmente assassinada, com uma das mãos faltando. Sobre ela está pendurado um pequeno boneco feito de castanhas. O caso é entregue à ambiciosa detetive Naia Thulin e a seu novo parceiro, Mark Hess, um investigador introspectivo que acabou de ser expulso da Europol. Logo se descobre uma evidência ligando o sr. Castanha a uma garota desaparecida há um ano: a filha da política Rosa Hartung. O homem que confessou tê-la sequestrado e assassinado está atrás das grades e o caso foi encerrado há tempos ― e qualquer insinuação contrária causa disputas e inimizades na corporação. No entanto, quando novas vítimas e novos bonecos aparecem, Thulin e Hess acham cada vez mais difícil ignorar a conexão entre o caso Hartung e o novo serial killer. Mas que conexão seria essa? E como impedir o assassino de continuar sua caçada, se ele parece sempre um passo à frente da polícia? As Sombras de Outubro traz o melhor do estilo thriller noir, acrescentando ao suspense clássico uma boa dose de energia. Sveistrup retrata seus personagens com sensibilidade e mostra como romances policiais podem fazer críticas contundentes às realidades sociais.

Trama: Em outubro, na cidade de Copenhagen, a divisão de crimes hediondos está muito ocupada com o corpo de uma mulher brutalmente assassinada no quintal de sua própria casa. A detetive Naia Thulin assume a direção do caso, levando a tiracolo o investigador recém afastado da Europol, Mark Hess. Além das características sádicas envolvidas no caso, eles ainda precisam lidar com um bonequinho feito de castanha encontrado na cena do crime. Ele contém a impressão digital de Kristine Hartung, filha da Ministra do Bem-estar Social, desaparecida e dada como morta, caso esse em que o culpado já se encontra na cadeia. Antes da polícia começar a entender todos os acontecimentos, outros crimes com as mesmas características começam a acontecer, forçando Naia e Mark a correr contra o tempo. Desde minha leitura de “Os homens que Não Amavam as Mulheres” a alguns anos atrás, eu desenvolvi uma curiosidade viciante em livros de autores dinamarqueses com temática policial, como "A Garota Corvo"de 2017. Depois de ler a sinopse de “As Sombras de Outubro”, imediatamente me recordei de Stieg Larsson e Erik Axl Sund e ansiei por esta leitura. Diferente das obras desses dois, “Sombras de Outubro” aborda o crime pelo ponto de vista da polícia, o que me foi particularmente agradável, já que a linha narrativa nos permite participar da investigação (que é minha parte preferida em qualquer livro de mistério).



Personagens: A narrativa aqui é dividida, podemos destacar Thulin, Hess e Rosa como protagonistas. Thulin não inspira muita simpatia; fria e anti-social, mantêm uma fachada de proteção imposta por ela mesma, não fica claro o porque, apesar de ser óbvio a ocorrência de algum trauma passado. Ela é promissora, embora ainda seja uma novata no departamento, apesar disso, ela julga o trabalho entediante e quer ser transferida para o departamento de crimes cibernéticos - onde julga que o trabalho seja mais interessante. Ela aceita o caso como rotina, na intenção de receber uma recomendação do chefe. Conforme a trama e o relacionamento dela com outras personagens vai avançando, podemos ver as camadas de Thulin e aos poucos ir simpatizando com a personagem. Hess é intrigante, inicialmente desinteressado e desesperado para voltar ao seu cargo, logo ele parece obcecado pelo caso, mesmo que seu novo chefe não aprove sua linha de investigação. Ele acaba por ser mais cativante que Thulin, por apresentar um comportamento mais humano e menos robótico, seu desenvolvimento é muito mais intrincado e natural.

Capa, Diagramação e Escrita: A capa é simples, mas adequada, e a diagramação me irritou um pouco no início. Como eu já havia comentado, a narrativa é dividida, porque a trama tem uma única linha fluida de evolução e a vemos pelo ponto de vista de cada personagem que é centrado nela. Ou seja, quando acontece o primeiro assassinato, vivenciamos ele pelo ponto de vista da vítima; quando acham o corpo, podemos ver o ponto de vista da detetive Thulin e assim por diante. Por esse motivo cada capítulo abrange uma visão narrativa, por isso eles são muito curtos e numerosos, o que eu não julgo muito confortável, mas depois da metade do livro eu já tinha me acostumado. A escrita de Søren é detalhista e sensível, achei incrível como ele conseguia manter a linha narrativa e ainda me conectar com as personagens, mesmo que toda hora eu fosse jogada para diferentes tipos de narrativa.

Concluindo: Eu amei a leitura! O livro é inteligente, natural, realista e interessante. O mistério é abordado de forma fantástica e criativa, além do desenvolvimento ter um bom embasamento, as descobertas feitas pelos protagonistas são  balanceadas, o que possibilita o leitor se deliciar com a emoção da trama ao mesmo tempo que tenta solucionar os crimes. Tive o meu primeiro suspeito exatamente na metade do livro, por um pensamento de determinado personagem. Embora eu tenha suspeitado, em nenhum momento até a resolução da trama eu tive certeza e não houve qualquer outra insinuação de que de fato aquele era o culpado, e isso me maravilhou! Acabo sendo detalhista e atenciosa, e sempre sinto que os autores subestimam a minha inteligência. E pra não dizer que o livro não tem defeitos, eu achei, em momentos pontuais, que Thulin tinha reações e pensamentos ingênuos e que não condiziam com sua personalidade, muito menos com a vivência da personagem. Mas isso sou eu sendo cricri.