Resenha - A Ameaça Sombria

Título: A Ameaça Sombria
Título Original: The Shadow Hour
Série: A Profecia do Pássaro de Fogo
1- A Profecia do Pássaro de Fogo
2- A Ameaça Sombria  
3- The Savage Down (2017 US)
Autora: Melissa Grey
Editora: Seguinte
Páginas: 424
Saiba mais: Skoob\Goodreads
Comprar: Amazon

Não há spoilers nesta resenha exceto em "Personagens"

Sinopse: O mundo de Echo mudou por completo quando a garota menos esperava. Até pouco tempo, ela era apenas uma espectadora da guerra milenar entre os Avicen e os Drakharin, dois povos mágicos que habitam a Terra em segredo. Agora, depois de encontrar e libertar o pássaro de fogo - uma figura mítica importante para os dois grupos - e de descobrir o poder que carrega dentro de si, Echo precisa entender qual papel deve desempenhar para colocar um fim definitivo nesse conflito. Para complicar, a libertação do pássaro de fogo deu nova vida a um ser antagônico a ele, o kuçedra. Feito de trevas e sombras, o kuçedra espalha medo e morte por onde quer que passe - principalmente se controlado pelas pessoas erradas. Enquanto tenta encontrar uma solução para esse novo obstáculo, Echo vai perceber que a linha que separa a luz das trevas é bem mais tênue do que esperava...

Trama: Depois dos acontecimentos surpreendentes no final do primeiro volume, o grupo heterogêneo se vê obrigado a ficar cativo tanto física, quanto psicologicamente. Reclusos em um depósito, eles se escondem de seus respectivos povos e esperam a recuperação de Jasper, mas depois de três meses a tensão entre eles é palpável e a lesão do Avicen está longe de cicatrizar. A maioria dos livros de transição não caminha muito com a trama, é comum que no final do livro haja alguma reviravolta surpreendente que nos deixe sedentos pela continuação. No caso de A Ameaça Sombria, eu não senti esse arrastar específico (mas há, claro, uma reviravolta, não tão surpreendente, no final). A trama é mais comedida e exemplifica bem o recuo estratégico de uma unidade abatida na guerra, mas gostei do desenvolvimento das personagens aqui, cada uma em seu próprio processo de amadurecimento.

Personagens: Echo vive neste livro diversos impasses em relação ao seu lugar entre os Avicen, as suas responsabilidades acerca do pássaro de fogo e inclusive sobre suas inclinações amorosas. Podemos dizer que tanto Echo, quanto Caius, se perdem um pouco durante a trama. A primeira está em constante dúvida sobre suas decisões, como isso afetará o mundo e como ela se colocaria na crescente guerra entre os Avicen e Drakharin. Além disso, ela ainda tem que lidar com a consciência de Rose (a Avicen com quem Caius teve uma profunda relação amorosa) dentro de si e entender se os sentimentos conflitantes que tem sentido por Caius lhe pertencem, ou são ecos da consciência da Avicen. Caius se vê perdido diante das descobertas recentes e confuso em relação a sua irmã e Echo, durante a trama ele perde toda a impetuosidade inerente a ele e, diferente de Echo - que está tentando se descobrir -, Caius parece estar simplesmente estagnado. Um personagem que é ligeiramente melhor desenvolvido aqui é Rowan, o namorado (recente e perdido) Avicen de Echo, o que cria um novo triângulo amoroso para o enredo. E não é o único, já que uma nova personagem introduzida faz parte do passado de Jasper.

Capa, Diagramação e Escrita: As capas dessa trilogia seguem a mesma linha americana. Além das ilustrações primorosas, a escolha das cores é essencial para inspirar nossa imaginação. A diagramação é simples e polida e a escrita de Melissa é fácil e fluida.

Concluindo: Até aqui eu estou apaixonada pelo universo de Echo, a mitologia criada acerca das duas raças. As temáticas tratadas, mesmo que superficialmente, de luto, sexualidade e aceitação são interessantes e a interação das personagens é muito divertida. Claro que nem tudo são flores, todos esses temas acima poderiam ser melhor explorados e mais aprofundados. No geral, a trama apresenta um conteúdo que irá agradar a maioria dos leitores de fantasia/aventura/romance. Para alguns, talvez fique o gosto incompleto típico de livros que criam um universo rebuscado, mas com um enredo simples. Acredito que no terceiro livro todos esses pontos podem ser incrementados e, mesmo que não sejam, a autora entrega um exemplo interessante e divertido de fantasia urbana.