Resenha - O guia do Cavaleiro para o vício e a Virtude

Título: O Guia do Cavalheiro para o Vício e a Virtude
Título Original: A gentleman's guide to vice and virtude
Série:The Montague Siblings
1- O guia do cavalheiro para o vício e a virtude
1.5 - The genteman's guide to getting lucky (2019 US)
2- The Lady's guide to petticoats and piracy (2018 US)
3- The Nobleman's guide to scandal and shipwrecks (2021 US)
Autora: Mckennzi Lee
Editora: Galera Record
Páginas: 434
Saiba mais: Skoob
Comprar: Amazon

Infelizmente, é chato.

Sinopse: Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon Versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700. Henry "Monty" Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões - jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens. Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy - por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível. Monty decide fazer desta última escapada uma festa hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

Trama: Henry Montague irá passar seu último ano de "liberdade", antes de assumir o  título e a propriedade da família, em um tour pela Europa com seu melhor amigo Percy. Decidido a afogar a opressão paterna, as expectativas da sociedade e seu amor platônico, em muita bebedeira e luxúria, ele fica frustrado ao descobrir que seu pai contratou um tutor para fazer do tour uma viagem cultural calma, focada na disciplina e com o intuito de alimentar novas conexões para a família Montague. Irritado com toda a situação Monty rouba um item do Palácio de Versalles, e é a partir daí que ele e sua comitiva são perseguidos por toda a Europa. A trama e os assuntos abordados são interessantes, mas a sua execução pode ser considerada... incompleta, talvez?

Personagens: Ok, vamos começar pelo problema majoritário, Monty - Nossa, que personagem CHATO!! Ele é absolutamente irritante, destilando arrogância, egoísmo, insensibilidade e frivolidade; acho aceitável e interessante quando uma personagem com conflitos a ser trabalhados amadurece conforme o desenvolvimento da história, mas isso não acontece aqui, a autora empurra uma solução muito forçada a evolução da psique da personagem devido a um acontecimento específico no final da trama. A duas personagens secundárias eram extremamente mais interessantes e cativantes que o narrador. Percy é adorável, apesar do exterior prático e contido era acalentador quando a autora nos permitia ver sua honestidade e gentileza. Felicity foi quem mais me chamou atenção, obrigada a fazer parte da viagem com o irmão - em determinado momento ela seria levada para uma escola feminina de etiqueta - tenta aproveitar ao máximo o conhecimento que nunca seria dirigido a uma mulher; direta e objetiva ela sempre roubava a cena no menor dos diálogos, sua perspicácia e ambição eram energizantes, é uma pena que neste volume não possamos apreciar a personagem em sua totalidade.

Capa, Diagramação e Escrita: Acho a  arte das capas divertida, a editora manteve a capa original da Harper Collins, que mistura as imagens típicas de romances de época com um detalhamento relaxado e divertido. A diagramação é polida e o tamanho da fonte ideal, mas não gosto da qualidade do papel - é daquele tipo poroso que amarela e mancha com facilidade, ainda mais se você vive em uma cidade com alto índice de umidade, como eu.

Concluindo: A aventura é interessante e a trama bem composta, a ambientação de época apesar de não ser precisa confere uma atmosfera envolvente ao leitor, mas a falta de carisma do protagonista é decisiva no aproveitamento da leitura e o desenvolvimento precário dessa personagem, assim como de algumas temáticas (muito interessantes inclusive, como a posição dos negros na sociedade europeia do final do século XVIII e início do século XIX e  os diretos das mulheres), não são devidamente exploradas pela autora, resultando em uma experiência frustrante.