Resenha - Por Lugares Incríveis

Resenha feita pela Tay e pela May!
Título: Por Lugares Incríveis
Título Original: All The Bright Places
Livro Único.
Autor: Jennifer Niven
Editora: Seguinte
Páginas: 336
Ano: 2015
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // Submarino //  Amazon

Essa resenha foi feita em dupla! Os trechos na fonte padrão do blog, que vem primeiro em cada seção, são da Tay, enquanto os trechos na fonte diferente são os da May.


SinopseDois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver.
Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família. Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.


A Trama: O livro não conseguiu me ganhar como eu pensei que aconteceria, nas primeiras 100 páginas eu achei a história um pouco entediante. Pra mim, pareceu que a autora tentou criar uma história "original" construindo-a com vários clichês, ou seja: não me convenceu. Aos poucos o ritmo do livro vai melhorando e faz com que o leitor fique mais preso às páginas, mas em nenhum momento a história conseguiu me impressionar ou me arrebatar. Achei tudo apenas bonitinho e engraçadinho, com personagens que autora tentou fazer deles pessoas fortes, mas eu não acreditei neles.

Confesso que minhas expectativas para esse livro estavam altíssimas, e que esse é um dos motivos de minha decepção ter sido tão grande. Mas é claro que houveram outros.
Tentei de diversas maneiras ser mais sutil ao tratar sobre isso, mas não encontrei outra forma. Na maioria das resenhas que li, Por Lugares Incríveis foi descrito como um livro super original, infelizmente, pra mim ele não passou de um misto de outros bestsellers, como Mar da Tranquilidade e Cartas de Amor aos Mortos. E foi aí que me perdi, me decepcionei e também onde a leitura se tornou torturante. Sejamos honestos: ok você se basear em um romance que fez bastante sucesso, mas criar sua própria história é fundamental.


Os Protagonistas: Finch e Violet têm problemas que precisam de soluções. Ela perdeu a irmã, ele tem um distúrbio mental que o faz "apagar" de vez em quando. Dos dois, Finch foi o que mais me convenceu com seu problema, porque era algo que ele carregava a vida toda. Além de ele realmente ter problemas familiares com os pais divorciados, sendo que o pai era um imbecil. Já Violet não me convenceu tanto assim. Eu entendo a dor de perder alguém que amamos e todo o processo de luto pelo qual passamos e que nunca é fácil superar e seguir em frente. Mas, não sei, senti que a dor dela era meio superficial, algo colocado ali pela autora para podermos sentir pena da garota. Há livros em que os autores conseguem fazer isso de forma natural e realmente conseguimos nos envolver com o personagem, mas aqui não foi assim comigo, além de eu ter achado Violet incrivelmente dramática. Mas quando não estava sofrendo pela irmã ter morrido e ela sobrevivido, ela é uma pessoa divertida e simpática. Mesmo assim não me conquistou realmente.

Finch e Violet não me convenceram nem por um segundo. Em algum momento do livro, Finch até chegou perto disso, mas não conseguiu. Já Violet... Essa eu me poupo dos comentários, eu a vi como uma mera caricatura de Laurel - a protagonista de Cartas de Amor aos Mortos.

Personagens Secundários: A autora focou tanto em contar a história dos protagonistas, que deixou os personagens secundários um pouco de lado. Aqueles que senti que ela teve o maior esforço de construir foram os pais de Finch. Depois do divórcio, a mãe se tornou uma mulher ausente e, quando estava com os filhos, era como se agisse no piloto automático, nunca realmente se importando. Já o pai se separou da esposa para ficar com outra mulher e o filho dela, que poderia ou não ser filho dele. O homem dá raiva e fiquei o livro inteiro me perguntando como a mãe deles poderia deixá-los passarem algum tempo com aquela pessoa que não queria mais nem saber da existência deles.

A autora focou tanto nos protagonistas, que não tivemos a oportunidade de conhecer a fundo nenhum dos personagens secundários. E eu sei que já fui bem crítica com esse livro, mas não posso negar que dar um espaço maior a esses personagens poderia ter tornado a trama mais leve e talvez mais atraente.

Capa, Diagramação e Escrita: Eu gosto muito dessa capa, gosto das cores, da imagem, do sentido que tem com a história. Gosto mais dela que da original. A diagramação é bem simples, mas ótima para ler, com algumas ilustrações para separar "fases" da história. A escrita da autora não é ruim, mas, como já disse, não gostei muito da forma como ela construiu a história. No final ela fez algo que conseguiu me surpreender e me deixar com raiva ao mesmo tempo, porque não pensei que ela teria coragem de fazer aquilo. Mesmo assim, depois que passei das 100 páginas entediantes, a leitura ficou mais fluida e narrativa melhorou um pouco, tanto que eu nem vi as páginas passando e quando percebi faltava pouco para a história terminar. Agora, uma coisa é certa: a nota da autora no final me emocionou mais que o livro todo.

Finalmente algo que eu posso elogiar!! A Seguinte sempre consegue criar livros esteticamente incríveis! Tanto a capa, quanto a diagramação do livro são um carinho aos olhos. Uma pena o interior não fazer jus a tanta beleza externa.
Quanto a escrita de Jennifer Niven, eu me irritei tanto com a trama que sequer me dei a chance de apreciar sua escrita. Acho que se ela tivesse se permitido arriscar, ao longo de toda a história, como se arriscou no final, esse poderia ter sido um livro extraordinário.

ConcluindoNão é um livro ruim, mas não funcionou direito para mim. Eu esperava uma história mais impactante e que me envolvesse desde o começo, mas o livro não me pegou. Tenho certeza que ele vai ser melhor para outros leitores e que muitos se apaixonarão por ele, chorarão e se apegarão aos personagens. Então, realmente espero que ele funcione melhor para você.

Se pudesse resumir em uma palavra o que faltou a Por Lugares Incríveis, essa palavra seria coragem. O único momento em que a autora teve coragem para se arriscar com algo inesperado, ela mostrou que tem potencial. Infelizmente, na maior parte do livro ela preferiu se manter em território seguro e conhecido. 
Minha sincera opinião é de que, se você não leu Cartas de Amor aos Mortos e Mar da Tranquilidade, talvez você se apaixone por Por Lugares Incríveis. Se você já os leu, provavelmente se revolte tanto quanto eu. Agora... Se você não leu e quer uma dica sobre qual escolher: sempre sou a favor dos originais.


Quotes:

Amo meu quarto. O mundo é melhor aqui do que lá fora, porque aqui sou o que eu quiser. (...)

Seguro o guidão da bicicleta, uma antiga de dez marchas, laranja, que herdei de Eleanor. Ela batizou a bicicleta de Leroy, porque gostava de dizer pros nossos pais: "Eu estava por aí, montando no Leroy" e "Vou montar no Leroy um pouco".

(...) Conheço a vida bem o suficiente pra saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora. Me conheço bem o suficiente pra saber que ninguém consegue me manter acordado ou me impedir de dormir. Tenho que fazer isso sozinho. Mas, cara, como eu gosto dessa garota.

O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa.



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