Resenha - Caraval

Título: Caraval
Série: Caraval
1- Caraval
2- Sem Título
Autor: Stephanie Garber
Editora: Novo Conceito
Páginas: 400
Ano: 2017
Saiba Mais: Skoob
Comprar: Amazon // Saraiva 

Bem-vindos ao Caraval - ou à uma das leituras mais decepcionantes do ano!

SinopseScarlett nunca saiu da pequena ilha onde ela e sua irmã, Donatella, vivem com seu cruel e poderoso pai, o Governador Dragna. Desde criança, Scarlett sonha em conhecer o Mestre Lenda do Caraval, e por isso chegou a escrever cartas a ele, mas nunca obtivera resposta. Agora, já crescida e temerosa do pai, ela está de casamento marcado com um misterioso conde, e certamente não terá mais a chance de encontrar Lenda e sua trupe, mas isso não a impede de escrever uma carta de despedida a ele.
Dessa vez o convite para participar do Caraval finalmente chega à Scarlett. No entanto, aceitá-los está fora de cogitação, Scarlett não pretende desobedecer ao pai. Sendo assim, Donattela, com a ajuda de um misterioso marinheiro, sequestra e leva Scarlett para o espetáculo. Mas, assim que chegam, Donattela desaparece, e Scarlett precisa encontrá-la o mais rápido possível.
O Caraval é um jogo elaborado, que precisa de toda a astúcia dos participantes. Será que Scarlett saberá jogar? Ela tem apenas cinco dias para encontrar sua irmã e vencer esta jornada.

A TramaJá que a sinopse diz bastante sobre a premissa da história, eu vou pular essa parte. Tem alguns meses que a sinopse de Caraval me deixou morrendo de curiosidade em saber como se desenrolaria essa história, mas aqui temos aquele caso clássico de expectativa vs. realidade. Apesar da premissa interessante, a trama é pobre em nuances e tenta se sustentar num romance instalove que você já previu desde o início do livro. Tudo se passa em um universo fantástico mal desenvolvido e explorado, com um sistema de magia confuso em que ninguém sabe nada sobre nada. O próprio Caraval, que é um tipo de jogo de caça ao tesouro, é mal planejado pela autora, onde as pistas que deveriam ser dificílimas de achar caem de paraquedas no colo da protagonista. Sem contar que você tem um vislumbre dos outros competidores apenas no primeiro dia, porque depois todos eles somem da história do nada, pareceu que só a Scarlett e o Julian estavam competindo no Caraval. E aquele final super anti-climático está para entrar na lista dos piores finais de livros que eu já li. O que poderia ser um final até corajoso e interessante vira uma cafonice idiota, a explicação de tudo é chocha, e você percebe que passou raiva o livro inteiro para - pausa dramática - nada. Nem o cliffhanger consegue dar vontade de ler o próximo livro.

Os PersonagensScarlett não é tão ruim no início, mas aos poucos ela vai se mostrando ser aquela personagem que você tem vontade de sacudir pelos ombros e perguntar: "cara, você é burra?". Foi difícil não revirar os olhos todas as vezes que ela falava que precisava voltar para o seu casamento com o conde e sempre que ela tomava alguma decisão idiota (e não foram poucas vezes). Além dela ser aquela personagem que esquece até o próprio nome quando vê um cara sem camisa. Tella era a última coisa que passava pela cabeça de Scarlett sempre que ela via o tanquinho do Julian. Sua habilidade de ver emoções através de cores não tem serventia nenhuma pra história, outra aspecto mal feito jogado no meio de tudo. Falando em Julian, ele é aquele cara feito para ser o crush dos leitores, mas tenho certeza que você já viu Julians iguais em outros zilhões de livros por aí, então acaba sendo imune aos encantos dele e só quer que aquele instalove acabe logo. Logo no início da história eu já queria que Tella fosse a protagonista, porque ela era mais irreverente, segura de si, aventureira, mas já adianto que até ela a autora conseguiu estragar no final das contas. Sem comentários para o pai das meninas e o conde com quem Scarlett iria se casar, tudo aquilo foi uó.
  
Capa, Diagramação e Escrita: Se tenho uma coisa para elogiar nesse livro, é a capa. Eu não a vi pessoalmente, mas fiquei apaixonada por ela desde que a vi pela primeira vez, e pelo menos as edições em inglês são maravilhosas por dentro. Chegamos numa das partes mais "vergonha alheia" do livro: a escrita. A autora tentou enfeitar tanto a narrativa com floreios, que tem umas frases que você lê e se pergunta o que essa mulher tomou antes de escrever esse livro. Parece que ela apenas pegou uma lista de palavras bonitas, que pareciam ficar bem juntas e jogou tudo numas frases sem nexo. Alguém me explica como algo tem "gosto de meia-noite"?!

Concluindo: Para não ser totalmente negativa com a história, devo dizer que ela pelo menos conseguiu me manter interessada o suficiente para ler até o final, mesmo assim só porque eu queria saber mesmo como aquela trama mal feita iria terminar. Eu queria ter gostado desse livro, mas é impossível levar a sério uma história que não me entrega nada do que havia prometido e ainda acaba se desconstruindo no fim das contas.

Quotes:
Sem saber exatamente quanto já estava apaixonada, imaginou que amá-lo seria como se apaixonar pela escuridão, assustadora e voraz, mas absolutamente linda quando as estrelas surgiam.