Resenha - A Costureira

Resenha feita pela Luh!  
Título: A Costureira
Título Original: The Dressmaker
Livro Único
Autor: Kate Alcott
Editora: Geração
Páginas: 376
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Com uma trama interessante, A Costureira poderia ter sido um livro ótimo. Mas os personagens não me conquistaram.

Sinopse: Uma jovem ambiciosa e uma estilista célebre sobrevivem ao maior naufrágio da História, mas são arrastadas pelo turbilhão de escândalos que se segue à tragédia. Tess Collins, uma jovem inglesa que sonha ser mais que uma empregada e ver reconhecido seu talento para a alta costura, consegue emprego com a famosa estilista lady Duff Gordon a bordo do Titanic, que ruma para os Estados Unidos. Porém, a viagem que se iniciou de forma tão auspiciosa acaba se tornando a maior tragédia marítima de todos os tempos. Tess e lady Duff sobrevivem, a primeira para viver as aflições do amor e as chances de ascensão social, a segunda para se ver envolvida nos escândalos do inquérito sobre o terrível desastre naval. Com um pano de fundo histórico, mas sob um ângulo inédito, este soberbo romance acompanha a trajetória dessas duas mulheres apaixonadas pela linha e agulha, tão parecidas e tão diferentes, deleitando-nos com um retrato emocionante de uma época conturbada e de uma sociedade dividida. 

A Trama: A Costureira começa com Tess pedindo demissão de seu emprego atual e tentando conseguir um novo emprego a bordo do famoso Titanic. Ela é recusada por várias pessoas até que Lucile Duff Gordon, uma estilista muito famosa, contrata-a impulsivamente. Achei um pouco difícil acreditar que uma mulher como Lucile nem sequer exigiria referências dos antigos empregos da protagonista e a levaria para um navio tão grande em um piscar de olhos.
Vou confessar que no início pensei que o livro terminaria quando o Titanic afundasse, mas, pelo contrário, esse é só o início. Apesar de Tess ser a protagonista, essa não é a história dela. É a história de todos que estavam a bordo do navio e agora tentam descobrir como esquecer uma tragédia tão grande e seguir com suas vidas. Foi aqui que o livro me ganhou, pois soube transmitir as cruas emoções humanas. A reação aos desastres foi intensa e muito realista. Os inquéritos que aconteceram em seguida ajudaram a reviver a cena de outros pontos de vista e houveram até algumas cenas bem emotivas. Kate Alcott não teve medo de atacar as diferenças sociais entre pobres e ricos da época, deixando claro que os ricos tinham muitas vantagens.
Entretanto, é aí que acabam os pontos fortes do livro. Diversas cenas me pareceram um pouco forçadas, como se estivessem ali apenas para movimentar a trama. A história é completamente previsível e tem poucas reviravoltas, além de o triângulo amoroso ter me irritado um pouquinho. Apesar de menos de um mês se passar entre o início e fim do livro, o ritmo ficava um pouco lento às vezes.

A Protagonista: Tess é uma jovem que odeia limpar banheiros e varrer o chão. Ela acredita que seu destino é ser uma costureira, e se esforça bastante para conseguir o que quer, mesmo que isso inclua pedir demissão de seu emprego estável. Gostei da determinação e da ambição da protagonista, mas não consegui suportar sua ingenuidade. Tess parecia ter colocado seus empregadores em um pedestal e nada poderia tirá-los de lá, não importa o que fizessem. Além disso, ela parece ter passado boa parte do livro apaixonada por seus dois pretendentes.

Os Personagens Secundários: Lucile é extremamente egocêntrica, acredita ser a melhor estilista do mundo e fala que as concorrentes são cópias baratas. Acho que é uma consequência de se estar no topo: a ilusão de que nada e ninguém pode te destruir. Conforme a trama se desenvolve e conhecemos melhor a personagem, fui gostando cada vez menos de sua personalidade extremamente manipuladora.
Jim e Jack são os dois homens que imediatamente se interessam por Tess, mas vou confessar que, apesar de serem tão diferentes, nenhum dos dois realmente chamou minha atenção e não me importei muito com quem ganharia o coração da protagonista.
Minha personagem predileta e a única que realmente me agradou foi Pinky. Uma jornalista independente e segura, ela é uma representação viva do movimento feminista da época. Ao invés de se preocupar em conseguir um marido, Pinky investe em sua carreira e aproveita a liberdade que ele lhe oferece.



Capa, Diagramação e Escrita: Adorei a capa, é muito mais bonita que a original e acho que combinou perfeitamente com o livro. A diagramação também está impecável, tive até que tirar uma foto da primeira página para vocês entenderem um pouquinho. A revisão, entretanto, falhou em certos pontos. Encontrei diversos erros no livro.
A escrita da Kate não é ruim, mas também não tem nada de incomum e ela poderia ser mais descritiva com os cenários. A narração em 3ª pessoa fez com fosse mais difícil me conectar aos personagens e acredito que não tenha sido a melhor escolha aqui.

Concluindo: Adorei o ângulo que a autora escolheu para contar essa história - do ponto de vista dos sobreviventes. Algumas cenas foram ótimas, mas outras não me envolveram, pois eu não me importava muito com o destino dos personagens. No geral, foi uma leitura agradável, mas vai passar longe dos meus livros favoritos.

Quotes:
O navio estava agora quase perpendicular ao céu noturno estrelado, uma linha vertical, pairando como uma bailarina na ponta da sapatilha. As luzes das cabines e dos deques ainda estavam acesas, e um estranho brilho verde das luzes da parte submersa do navio iluminaram o mar escuro. Era, estranhamente, uma bela visão.

 - Celebrar a sobrevivência não é suficiente - disse ela, com tranquilidade. - Há pessoas lá embaixo no saguão do hotel, no porto, nos cortiços do East Side, que perderam maridos, esposas, irmãs e crianças, e não têm nada para celebrar. Gente como vocês sempre sobrevive. Vocês devem mais que isso.

Era para lá que deveria ir. Ela renderia homenagem a alguém que não conhecia, cujo destino tinha sido amarrado ao dela. Mortos ou vivos, ele e ela existiam em uma fraternidade comum agora, uma fraternidade a que nenhuma das pessoas a bordo do Titanic escolhera pertencer, mas que agora compartilhavam. Aquilo lhe dava uma sensação de pertencer a alguma coisa.
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