Resenha - O Cavaleiro Fantasma

Resenha feita pela Beatriz!  
Título: O Cavaleiro Fantasma
Título Original: Geisterritter
Livro Único
Autor: Cornelia Funke
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 176
Ano: 2013
Saiba mais: Skoob
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Rápido, fofo e muito divertido.

Sinopse: Jon Withcroft não estava nada feliz. E quem gostaria de ser mandado para um internato bem quando a mãe tinha arranjado um namorado novo? Pois, quando chegou em Salisbury, o garoto só pensava nos acidentes que o Barba (apelido “carinhoso” pelo qual Jon se refere ao seu grande rival) poderia estar sofrendo e no que seria escrito na lápide dele caso algum escorregão fosse fatal.
Até que... na sexta noite em Salisbury, Jon descobre um novo motivo para querer voltar correndo para casa: ele passa a ser perseguido por um bando de fantasmas, que desejava nada mais nada menos que a sua morte.

A Trama: Iniciei o livro cheia de expectativas por ser da minha querida Cornelia Funke, porém acabei me decepcionando um pouco. Mesmo sabendo que o livro é infanto-juvenil, eu o achei infantil demais e, na minha opinião, alguns pontos da história foram mal aproveitados.
O livro começa com nosso protagonista, Jon Whiteroft, sendo levado contra sua vontade para um internato em Salisbury, porque sua mãe arranjou um novo namorado e eles não se dão muito bem. A partir daí, a vida de Jon muda drasticamente. Não apenas por causa dos funcionários esquisitos ou por agora morar ao lado de um cemitério cheio de ancestrais seus... Jon descobre que foi parar em um lugar habitado por um fantasma que há séculos jurou exterminar todas as gerações dos Hartgill, o sobrenome de solteira de sua mãe! No entanto, aparece o fantasma que um dia já foi o bravo Sir William Longspee e marca Jon com um selo de leão azul para que ele sempre possa vir em seu auxílio. Em troca, Longspee pede apenas um favor a seu novo escudeiro: resgatar seu coração roubado e enterrá-lo próximo ao túmulo de sua esposa para que enfim possa descansar em paz.
Eu achei o ritmo do livro rápido demais. Geralmente isso seria um elogio, mas nesse caso os detalhes ficaram vagos e em muitos momentos sem conexão com o resto da história. Só para ter uma ideia, a descrição de algumas batalhas duraram apenas 2 páginas! Fiquei com a impressão de que a autora queria economizar, pois sua história tinha potencial para um livro maior.

O Protagonista: Jon foi um fofo. Com apenas 11 anos, ele já era bem decidido quanto ao que queria, sem perder seu lado "ainda na infância", contrabandeando doces e querendo a atenção da mãe. Tenho certeza de que o fato de ter sido a geração escolhida para derrotar o tal fantasma o fez amadurecer mais rápido. Contudo, Jon era órfão de pai e creio que esse foi o principal motivo para odiar completamente o novo noivo que sua mãe arrumou. Jon também aceitava a maioria das coisas que as pessoas falavam para ele, o que demonstra sua insegurança em relação às próprias atitudes. Algo que chamou minha atenção no livro foi que Jon contava a história de um ponto de vista no passado, pois havia trechos em que ele comentava como as coisas haviam mudado, ou como o comportamento de certa pessoa continuava o mesmo. A narrativa parece  mesmo ser contada por uma criança e eu achei isso bem interessante.

Os Personagens Secundários: Notei que os personagens não foram muito bem trabalhados, mas todos ficaram muito queridos e divertidos.
A principal é, sem sombra de dúvidas, Ella, uma menina da mesma idade de Jon que morava ao lado do internato com a sua peculiar avó, Zelda. Ella era bem séria e mandona, mas nas palavras de Jon "nunca dizia mais que o necessário", deixando todos no vácuo quando não queria mais conversar. Porém, Ella foi indispensável na vida de Jon, com seu fascínio por fantasmas. Além, claro, de conquistar o coração do protagonista!
Zelda foi minha preferida. Mesmo com mais de 70 anos e usando muletas para andar, ela tinha em espírito aventureiro e era considerada uma bruxa por ser especialista em qualquer história de assombração. E ainda temos Sir William Longspee, um fantasma que, mesmo com toda valentia e coragem, demonstrava cansaço e uma tristeza profunda pertencente a quem já morreu sem nunca poder realmente descansar.

Capa, Diagramação e Escrita: Mesmo que eu não tenha gostando muito da história, compensa ter o livro só para decorar a estante! A capa é belíssima e a Companhia das Letras merece parabéns pelo capricho nos detalhes, pois parece que os desenhos foram minuciosamente contornados com tinta prata, dando ênfase ao fundo azul. A diagramação também está muito boa para a leitura. As letras têm o tamanho certo, não encontrei erros de revisão e as páginas grossas e amareladas demonstram o carinho da editora.
A escrita de Funke é leve, prática e divertida. Acho interessante o jeito como ela descreve os eventos por meio de diálogos e os cenários pela narração do medroso Jon. Porém, acho que  faltou um pouco de calma na hora de escrever. Os detalhes foram praticamente atropelados. Uma pena, já que seu livro tinha tudo para dar certo: muita pesquisa e um bom enredo. Mas um ponto que achei legal pela dedicação da autora foi fazer, no final do livro, um glossário de eventos e pessoas históricas citadas.

Concluindo: Espere uma história bem passageira, que dá para ler em um dia quando quiser se distrair. Recomendo mais para o público infantil ou para quem gosta de uma história sutil e divertida.

Quotes:
Pareceu-me tão magnífico. Como os cavaleiros com que eu sonhava quando tinha seis anos, golpeando as folhagens da amoreira em nosso jardim, imaginando lutar contra dragões e gigantes com uma espada que me tornava invencível e um escudo que me protegia contra tudo o que me dava medo.

 - Antes preciso ver o coração. E se for só uma lata de bolacha?
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