Resenha - O Lado Mais Sombrio

Resenha feita pela Tay!
Título: O Lado Mais Sombrio
Título Original: Splintered
Série: Splintered
1- O Lado Mais Sombrio
1.5- The Moth In The Mirror (2013 US)
2- Unhinged (2014 US)
3- Ensnared (2015 US)
Autor: A.G. Howard
Editora: Novo Conceito
Páginas: 368
Ano: 2014
Saiba mais: Skoob
Comprar: Saraiva // 

SinopseAlyssa Gardner ouve os pensamentos das plantas e animais. Por enquanto ela consegue esconder as alucinações, mas já conhece o seu destino: terminará num sanatório como sua mãe. A insanidade faz parte da família desde que a sua tataravó, Alice Liddell, falava a Lewis Carroll sobre os seus estranhos sonhos, inspirando-o a escrever o clássico Alice no País das Maravilhas. Mas talvez ela não seja louca. E talvez as histórias de Carroll não sejam tão fantasiosas quanto possam parecer. Para quebrar a maldição da loucura na família, Alyssa precisa entrar na toca do coelho e consertar alguns erros cometidos no País das Maravilhas, um lugar repleto de seres estranhos com intenções não reveladas. Alyssa leva consigo o seu amigo da vida real – o superprotetor Jeb –, mas, assim que a jornada começa, ela se vê dividida entre a sensatez deste e a magia perigosa e encantadora de Morfeu, o seu guia no País das Maravilhas. Ninguém é o que parece no País das Maravilhas. Nem mesmo Alyssa...

A Trama:  Alyssa Gardner pode ouvir as plantas e os insetos, mas tenta esconder isso de todo mundo para não ir parar no mesmo sanatório que a mãe. Quando era criança, um incidente fez com que sua mãe, Alison, fosse internada. 11 anos depois, Alyssa sofre por seu parentesco com Alice Liddell, a garota que inspirou Lewis Carroll a escrever o romance Alice no País das Maravilhas. Aos poucos, Alyssa vai percebendo que sua mãe não é simplesmente louca, há algum segredo por trás das palavras aparentemente desconexas que ela diz, tudo o que ela precisa fazer é deixar de ignorar seu lado diferente.
Nesse livro, somos transportados com Alyssa para o País das Maravilhas, e ela acaba levando seu amigo, Jeb, sem querer. Assim que chegamos lá, dá pra entender o motivo do título O Lado Mais Sombrio. Nem tudo é colorido e alegre, o Coelho Branco pode não ser exatamente assim. Tudo é mais obscuro, com uma atmosfera gótica e surpreendente. Realmente o lado mais sombrio, por assim dizer, daquele mundo que conhecemos. Claro que a trama tem mais do que apenas mostrar o lugar e eu adorei cada trama intrincada que a autora fez, criando não apenas uma roupagem mais moderna para o romance de Lewis Carroll, mas uma “continuação” para a história de Alice, mostrando, de acordo com o livro, as obscuridades que a mente de criança da garota não deixou transparecer.

A Protagonista: A mente de Alyssa estava meio perturbada no início, porque ela não queria ser como sua mãe ou suas outras antepassadas, queria ignorar seu dom de ouvir plantas e insetos e apenas ser uma adolescente normal, sem ser atormentada diariamente por seu parentesco com Alice Liddell, andar em seu skate e fazer seus mosaicos de insetos mortos – a única maneira que encontrou de silenciá-los. Acho que posso dizer que a Alyssa que conhecemos no início do livro, não é a mesma do final. Ela passou a se aceitar durante a história e eu adorei acompanhá-la nesse processo de crescimento – claro que o ambiente a sua volta também ajudou a me manter focada na história. Apesar de ter vários problemas para resolver, ela também tinha que lidar com seu lado adolescente indecisa e cheia de questionamentos sobre o garoto que gosta.

Personagens SecundáriosComecemos por Jeb. Ah, Jeb! *suspiro* Acho que tem alguns livros que não suspiro por um personagem como suspirei por Jeb. Claro que nos últimos livros que eu li muitos personagens masculinos me encantaram, mas com Jeb eu me senti aquela garota de 13, 14 anos de novo, me apaixonando pelos personagens dos livros YAs que lia. E isso foi uma sensação muito boa, ele ter conseguido me atingir assim agora. Não foi uma coisa arrebatadora, mas me deixava ansiosa e de coração acelerado quando ele estava com Alyssa. Apesar daquela marrinha de garoto mal, estilo grunge, piercing no lábio (coisa que eu não gosto muito, mas na minha mente deu um charme especial a ele), ele tinha um coração meio mole em relação à Alyssa, querendo proteger a garota o tempo todo. Acho melhor deixar para vocês a surpresa de conhecê-lo, não quero falar de mais. Nem preciso dizer que eu adorei ele, né? Agora Morfeu... Meus sentimentos por Morfeu vivem em uma montanha-russa. Em alguns momentos ele me conquistava, em outros eu queria estrangulá-lo e depois lá vinha aquele suspirinho de novo. Não sei exatamente se o amo ou o odeio, mas sei que no final ele ainda foi uma incógnita para mim, pois me deixou muitas dúvidas sobre seu caráter. Misterioso e sensual à sua maneira, ele conseguiu mexer com os sentimentos da protagonista. E, claro, um detalhe que não posso deixar passar: o sotaque britânico. Tá aí uma coisa que me deixaria caidinha por Morfeu, eu sou seduzida facilmente por um sotaque britânico. Mas como eu li a edição nacional, ainda fico com minhas dúvidas em relação a ele. Sim, temos uma pontada de triângulo amoroso nesse livro, que no final pendeu para um lado, mas que deixou brechas para pender para o outro nos próximos volumes. E eu não consegui não gostar disso, já que os “sentimentos confusos” da protagonista entre os dois foram desenvolvidos de uma maneira que é difícil resistir a qualquer um deles. Claro, temos os personagens já conhecidos de Alice no País das Maravilhas, como o Coelho Branco, O Chapeleiro Maluco, a Rainha Vermelha, a Lagarta... Mas, como era de se esperar, eles não são nada iguais aos que já conhecemos.

Capa, Diagramação e Escrita: A primeira coisa que me chamou a atenção nesse livro foi a capa. E como alguém pode não se sentir atraído por ela? Com os elementos que remetem ao mundo de fantasia e as cores que combinaram perfeitamente. E acertaram em cheio na escolha da modelo (ou da foto, se encontraram em um banco de imagens), a expressão dela, sua aparência... Mesmo em livros com capas com rosto, eu consigo imaginar o personagem de forma diferente do que está na capa, mas a modelo combina perfeitamente com Alyssa, não consegui imaginar outra que não fosse ela. A diagramação também está uma coisa linda. No início de cada capítulo temos desenhos de um emaranhado de folhas adornando a página, e a fonte escolhida para os títulos dos capítulos combinou perfeitamente.
Eu gostei da escrita da autora, não era cansativa. Para se ter uma ideia, os capítulos são bem grandinhos, mas passavam tão rapidamente que eu me surpreendia quando chegava no final de cada um. É leve, fácil e envolvente, te prende na história e faz com que você não queira largar o livro nunca mais. A única coisa que tenho a reclamar são alguns errinhos de edição, algumas palavras ao longo do livro estão com a primeira letra trocada, mas dá para entender no contexto da frase.

ConcluindoTá, admito, sou suspeita para falar, já que adoro Alice no País das Maravilhas. Algumas pessoas podem não gostar por tantas mudanças no mundo mágico e colorido de Lewis Carroll, mas eu gostei das mudanças que a autora fez em benefício da sua história. Eu sabia desde o momento em que comecei a ler que eu iria adorar esse livro, que ele me prenderia e que se tornaria favorito. Dito e feito! Entendo que muitas pessoas podem não gostar como eu, se envolver ou adorar o livro com todas as suas forças. Mas eu adorei! Eu me envolvi e fiquei louca com os personagens, me juntei a eles e “redescobri” Wonderland. Me apaixonei pelos personagens e me apeguei a eles. Quero-os de volta agora! O livro teve certo fechamento, mas deixou apenas uma pontinha solta para o próximo volume (que já desejo avidamente), que pode se tornar uma coisa muito maior, dependendo do rumo que a autora vai levar a história. Eu adorei o livro, e é melhor eu parar por aqui antes que minha empolgação em escrever sobre ele se estenda eternamente.

Quotes:
- (...) Agora, me escute, Alyssa Victoria Gardner. Normal é algo subjetivo. Nunca deixe que ninguém lhe diga que não é normal. Porque para mim você é. E a minha opinião é que vale. Entendeu?

Quando era adolescente, a mãe de Alison, Alicia, pintou todos os personagens do País das Maravilhas pelas paredes de sua casa, insistiu que eram reais e que conversavam com ela em seus sonhos. Anos mais tarde, Alicia se lançou em um voo do alto do segundo andar de seu quarto no hospital onde acabara de dar à luz minha mãe, só para “testar” suas asas. Aterrissou em um canteiro de rosas e quebrou o pescoço.

Minha náusea aumenta quando ouço os cravos falando por sobre o zunido dos ruídos de fundo. Eles estão dizendo como é doloroso ser podado nas hastes, reclamando sobre a qualidade da água na qual estão nadando, pedindo para serem recolocados na terra para que possam morrer em paz.

(...) Um movimento repentino na escuridão me faz ir rolando de volta para Jeb. Ele envolve minha cintura com um braço e me aperta contra ele enquanto a sombra de um pequeno coelho, parado sobre duas pernas, aparece à porta.
- Atrasado – diz ele, com a voz diminuta.
Trinco os dentes para não gritar. Não posso acreditar. O Coelho Branco é real.

Ele é uma contradição: magia contida pronta para entrar em ação, gentileza em guerra com a severidade, uma língua tão afiada quanto a ponta de um chicote, mas a pele tão macia que a sensação é a de que ele está envolvido em nuvens.

(...) Estou começando a apreciar a loucura.
Isso não é bom. Não mesmo.

Ao levantar uma mão, ele inclina o chapéu daquele jeito sexy.
- Você me quer. Admita.
(...) – Por que eu deveria querer você?
Ele levanta três dedos para contar. – Misterioso. Rebelde. Problemático. Todas as qualidades que as mulheres acham irresistíveis.

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